Archive for the 'Observações' Category

10, Downing Street

Sei bem que o assunto deste post nada tem a ver com o propósito do blog. Mas, visto que o blog é meu, eu faço o que eu quiser 😉

Nos últimos dias o primeiro ministro britânico, Gordon Brown, fez algo que há certo tempo também quero fazer: visitar o Brasil. Coisa rápida, só um dia, mas suficiente pra dar um tapinha nas costas do Grande Molusco em Brasília, honrar as origens inglesas do futebol no Pacaembu, com o Sócrates (o irmão do Raí, não o grego) e dar uma palestra para os alunos super-sérios da FAAP.

Mas não quero falar da viagem do sujeito. O quero mostrar é outra coisa. Gordown Brown é um chefão moderno: tem Flickr e Twitter. Ele pediu para fossem abertas contas nos dois serviços para que os seus fotógrafos e jornalistas pudessem divulgar, em tempo quase-real, suas atividades cotidianas. Em ambos os serviços as contas são nomeadas 10, Downing street, endereço do gabinete. Legal, né?

Para ver as fotos do meninão da rainha com o Lula e o Sócrates, flickr.com/downingstreet. O Twitter é twitter.com/downingstreet.

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Tá, tá, eu sei…

…que esse blog anda mais parado do que olho de vidro. Mas saibam que nos últimos tempos eu viajei, recebi pessoas queridas em casa, comprei livros novos, fiz aniversário, tentei realinhar meus chakras (sem sucesso, aliás; acredito que os meus estejam gastos, não emitem tanta energia quanto antes e penso em doá-los) e mais um monte de outras porcarias que, de cabelo penteado e bem comportadas, servem de história para escrever aqui.

Prometo que lá pelo fim desta semana publico dois posts de uma vez. Tá bom assim?

Le Brésil

É incrível como aqui eu me sinto mais brasileiro. Encontro meu país por toda parte. E acho bom.

Você pode se machucar bem forte

A meia-dúzia de três ou quatro que frequentam este blogue sabem que eu sou fã do metrô de Paris. Afinal, ele é o blend perfeito entre sujeira, barulho, informações baratas e pessoas. E eu me interesso bastante pelo assunto. E este post se debruçará sobre uma pequena característica desta anomalia urbana: o coelho do metrô de Paris.

Não é uma lenda urbana, nem o apelido de nenhum célebre mendigo, muito menos uma besta que se aloja nos túneis do sistema parisiense. E longe de ser a inspiração da criação de algum vibrador figurado num filme feminista. O coelho do metrô de Paris é uma personagem cor-de-rosa que surgiu em meados da década de 1970 e é um instrumento de advertência para que crianças abelhudas não coloquem as mãos nas portas do metrô enquanto as mesmas se fecham. Afinal, pior do que perder os dedos é bloquear uma linha inteira e foder com o cotidiano de alguns milhares de voyageurs.

Adesivo tradicional

Adesivo tradicional

Longe de ser um símbolo beatnik como o Mind the Gap londrino, o coelho do metrô de Paris, à primeira vista, mais parece uma releitura de um outro coelho-rosa francês, o do Quik. Portando um quimono amarelo, o antropomórfico personagem é bípide e está presente em forma de adesivo ou plaqueta em todas as linhas de metrô da cidade, acompanhado da frase “Attention! Ne mets pas sur la porte: tu risque de te faire pincer très fort” (Atenção ! Não coloque teus dedos na porta : você pode se machucar bem forte ). A questão é: por que um coelho? Por que ele é rosa? Por que essa roupa que parece um uniforme de presídio brasileiro?

Enfim, o propósito da minha postagem é apresentar algumas variações quase-pop art do leporídeo pink parisiense. Voilà!

O crédito das imagens é do benprod.bigbenprod.com.

você pode se marchucar bem forte

Não coloque tua cabeça na porta: você pode se marchucar bem forte

você pode se machucar bem forte

Não faça xixi na porta: você pode se machucar bem forte

você pode ficar preso

Não entre numa camisinha: você pode ficar preso

você pode se eletrocutar

Não faça graça com tua pilha Duracel: você pode se eletrocutar

você pode se sentir apertado

Parem de ser muitos no metro: você pode se sentir apertado

eles vão ficar tristes

Pare de trancar os outros coelhos do lado de fora: eles vão ficar tristes

Reabertura

Sei bem que este blog está mais parado do que olho de vidro. Mas vocês tem que entender que a atividade dele é proporcionalmente inversa à agitação da minha vida.

Isso significa que nas últimas 5 semanas em que nada escrevi para o blog estive me dedicando à outras ativiadades interessantes como acompanhar ataques terroristas na minha vizinhança, me empanturrar de foie gras no natal, festejar o ano novo no metrô, me dedicar profundamente nos estudos sobre o desaparecimento da civilização da Ilha de Páscoa, a instrumentalização dos Direitos Humanos e a Responsiblidade Social das Empresas, descreditar a culinária brasileira através de um punhado de tapiocas mal feitas, aumentar minha coleção de desculpas recebidas das francesas que se recusam à sair comigo… Enfim, o Café Paris esteve fechado pois alguém estave trabalhando. Mas enfim chegou a hora de apoiar os cotovelos no balcão.

Prometo trazer bem logo novas histórias e comentários ásperos sobre o suprassumo da essência kitsch parisiense. Tem até histórias envolvendo pias. Emocionante, não?

Aguardem.

Os modelos do metrô

Aqui eu ando muito de metrô. E eu gosto: é sujo, não cheira bem, é barulhento e cheio de gente estranha. E tais qualidades servem tanto para os trens quanto para as estações.

No meio desse monte de gente estranha e sujeira existe um tipo especial que surge da fusão dos dois elementos anteriores: os músicos de metrô. Entre sujeitos habilidosos e eternos amadores iniciantes, eles garantem a trilha sonora daquele esgoto de gente todos os dias, desde bem cedo até às primeiras horas da madrugada. São franceses, leste-europeus e asiáticos. Os latinoamericanos são poucos.

Recentemente resolvi começar a fotografá-los. Como gosto de fotografar músicos, resolvi sacar minha câmera pelo metrô e, mesmo com a evidente hostilidade dos passageiros para com a minha quase intromissão no trajeto-fudum diário de cada parisiense, disparo alguns cliques. Sempre mirando nos músicos, claro.

Entre algumas fotografias médias e um monte de decepções, o melhor resultado foi descobrir que os músicos do metrô de Paris são ótimos modelos. Famintos pelos trocadinhos, ao ver o saque de uma câmera fotográfica os suj

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eitos logo fazem mil poses, sorrisos. Alguns até rebolam e fazem poses ao meu comando. Sempre na confiança de que eu seja algum turista bobo recheado de dólares pronto para serem doados.

Enfim, comecei a me aproveitar disso. Apesar da desilução dos músicos que os deixam de cara feia bem rápido, já que descobrem que eu sou tão duro quanto eles e que meu espírito-turístico anda de mau humor, me arrisco quase diariamente em busca de boas fotografias.

Prometo que logo trarei à este entulho de insultos à cidade-luz mais fotografias musicais-subterrâneas. E, porque não, me aventurar fotograficamente entre os puteiros, sex shops e outras bocas-quentes do pedaço. Sei que existem algumas prostitutas na rue Saint-Denis que, desde o começo do fim da tarde, se colocam na labuta de oferecer coisas mais duvidosas e mal-cheirosas do que um camembert estragado. Espero fotografá-las logo.

Chers voisins,

A essência está em não convidar os vizinhos

A essência está em não convidar os vizinhos

E a cara-de-pau reina vestida de sinceridade em Paris. Não sei se é praxe, mas já vi anúncios da mesma espécie em outros prédios por aí: o lance é você avisar os vizinhos que você, em determinada noite, fará o maior escarcéu do condomínio desde a Revolução Francesa. Particularmente, acho o sistema democrático pois se algum condômino ameaçar cortar sua cabeça em razão do eventual carnaval-fora-de-época, você pode dizer o batido “mas eu avisei!”.

Embora pareça bizarro, nada nos distancia dos parisienses, já que temos a técnica, 100% nacional, de mandar um aviso com os dizeres “vou chegar atrasado, atrase-se também”, como se o problema não fosse a falta de tempo, e sim a espera.

Enfim, o aviso acima diz: “Caros vizinhos, celebraremos nosso aniversário esta noite no 5º andar. Nós nos desculpamos com antecedência pelo incômodo ocasionado. Thomas e Fabien“. A festa estava ótima: todos os convidados foram. E os não-convidados também, como eu. Dois policiais, também não-convidados, apareceram por lá. Embora o atraso, não mandaram o aviso. Inélégants!