Arquivo para outubro \26\UTC 2008

Bois de Boulogne

Além de transsexuais brasileiros, o Bois de Boulogne também possui ricas hortas

Além de transsexuais brasileiros, o Bois de Boulogne também possui ricas hortas

Definição do Bois de Boulogne num guia turístico que encontrei na internet: “Le bois de Boulogne est aussi réputé pour la présence notoire de prostituées et de transsexuels, en particulier la nuit. Une plaisanterie, datant de l’époque où le bois était le lieu de travail de nombreux transsexuels venus du Brésil, disait que le bois de Boulogne était la capitale de ce pays.”

Pra quem só entendeu “transsexuel” e “Brésil”, aí vai: O Bosque de Boulogne é também conhecido pela presença notória de prostitutas e transsexuais, em particular à noite. Uma brincadeira, da época em que o bosque era o local de trabalho de muitos transsexuais vindos do Brasil, dizia que o Bosque de Boulogne era a capital deste país.

Os turistas mais encorajados podem, além de conhecer um belo parque (incluindo o Parc de Bagatelle, onde Santos Dumont o vôo inicial para que os transsexuais aportassem por lá), provar os serviços da culinária local. Eu to fora.

A tia velha

E é verdade. Paris é feia, cheira mal, é sem educação e se acha a tal. É uma velha bem velha mesmo, dessas velhas que são velhas há muito tempo. E só morando com ela pra saber realmente quem é Paris. Ou o que é Paris. Pode parecer grosseria da minha parte tratar uma senhora dessa maneira e sei que muitos de meus amigos, ao lerem isto, vão pensar “que absurdo!” ou “ele não sabe de nada! Turista babaca”. Mas, infelizmente, é verdade.

Paris é uma sessentona quese nos setenta, bem perua, dessas com voz rouca, acessórios de cor de onça e, tem sabe, alguma coisa fazendo menção às peles das zebras. Ela fuma cigarro sem filtro, mas com cigarrilha. Mas ainda assim a deixa marcada de batom. Ela acha um máximo ser hype e moderninha mas não consegue largar o gosto pelo papel de parede cafona. Sem contar os vários imóveis que possui: todos caindo aos pedaços, a maioria art nouveau. Um mal gosto datado, mas com estilo.

Há um mês e alguns dias eu moro nela. Ou melhor, moro com ela. E, pra falar a verdade, tem sido bom, apesar dos perrengues que só consigo descrever mesmo em português pois meu vocabulário em francês ainda não é vasto o suficiente para poder detalhar cada momento em que essa cidade, ou tia velha, faz alguma brincadeira com seus sobrinhos. A maioria deles estrangeiros, claro. E acredito que agora seja uma boa hora para começar a falar um pouco dela, só por passa tempo. Afinal escrever faz bem às idéias.

Na medida do possível irei alimentar este humilde blog com as minhas observações. Nada pretencioso, longe de tentar fazer o que o Hemingway fez enquanto morou aqui também. Mas prometo me esforçar pra não fazer deste blog só mais um entre muitos. Pelo menos pra mim, pois já tive muito blogs.

Enfim, dizer que nem tudo em Paris é bonito é como dar um abraço numa tia velha e, mesmo se sentindo o incômodo que aquele perfume de gaveta nos causa, sentir que esse abraço é bom, familiar, e se sentir confortável.